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33º encontro do Fórum de Executivos Municipais de TI

O encontro será realizado em fevereiro de 2012, em São Paulo.

A governança participativa e a Web 2.0

Solon Lemos Pinto* 

A eleição de Barack Obama é um momento histórico por aspectos étnicos, políticos e econômicos, mas é marcante pelo uso inovador da tecnologia. É um fato significativo na relação dos candidatos com os eleitores e pode vir a ser também dos governos com os cidadãos. O candidato fez uso intensivo da Internet e das redes sociais para a formulação do programa de governo, para mobilizar e ouvir as opiniões dos eleitores, e para a captação de recursos para financiamento da campanha.

Essa não é a primeira vez que as redes sociais são usadas, mas deixa claro que as ferramentas tecnológicas que compõem a chamada Web 2.0 vieram para ficar. Com esses recursos tecnológicos, a Internet torna-se interativa e permite a construção cooperativa de conteúdo e comunicação direta com os grupos de interesse.

Com o fortalecimento da democracia, os cidadãos exigem, cada vez mais, transparência, eficiência da máquina pública, participação nas decisões e contato mais próximo com a administração. Querem influir no orçamento, apresentar suas demandas e receber respostas a elas, saber o que está sendo feito, quanto está sendo gasto; enfim, querem mais cidadania.

A tecnologia pode ser uma importante aliada dos governantes para atender a essas novas exigências. A difusão das tecnologias — com destaque para computadores pessoais com acesso à internet, celulares, redes sem fio — pelas diversas camadas da sociedade brasileira, proporcionam uma popularização irreversível das chamadas aplicações de relacionamento eletrônico, especialmente entre os mais jovens. As redes sem fio passaram a ser viáveis e permitem o atendimento às localidades remotas e pontos isolados com flexibilidade e custo relativamente baixo.

Colocam-se, assim, novas oportunidades para os governos municipais que se iniciam. É hora de: rever o portal da prefeitura na Internet, cuidando de redirecionar os esforços para a oferta de serviços eletrônicos aos cidadãos, com foco em saúde, como em campanhas preventivas, educação, com inovações para professores e alunos, e segurança, como câmeras de monitoramento de locais públicos; criar espaços virtuais interativos de participação da comunidade, para melhorar a qualidade da decisão sobre os gastos públicos e priorização de ações; dar transparência e mostrar as realizações de governo, pela divulgação da efetiva execução do orçamento – viagens, obras, serviços de terceiros, repasses a entidades assistenciais.

Hoje, blogs, wikis, portais de relacionamento e os diversos tipos de redes sociais estão disseminados. Por que não serem ferramentas usadas pelos governos para interagir com os cidadãos? É também hora de fazer maior uso da telefonia para melhorar a efetividade dos serviços sociais, de arrecadação de tributos ou de campanhas como vacinação ou matrículas em escolas públicas, entre outros.

É o momento de estimular o uso dessas tecnologias, pela oferta de serviços de conexão sem fio à Internet nas comunidades onde os agentes de mercado não atuam ou nas quais haja a necessidade de estimular algum setor econômico estratégico. Isso pode ainda proporcionar a redução de despesas com contas telefônicas e levar serviços de telefonia e transmissão de dados de qualidade a locais não atendidos.

A construção de "cidades digitais", que promovam amplo acesso da população à Internet e o uso da tecnologia para a oferta de serviços públicos e interação com os cidadãos, é aspecto importante de gestão. Com isso, abre-se o caminho para a governança participativa, onde a prestação de informações sobre as realizações e a interação para a melhoria da qualidade das decisões são fundamentais.

A crise financeira internacional já se reflete no Brasil e obriga os governos a serem mais sensíveis ao aumento do desemprego e, portanto, de demandas nos serviços sociais. As ferramentas tecnológicas de relacionamento com a sociedade podem ser um valioso aliado dos governantes. Os governos têm a chance de mudar sua postura e se tornarem mais empáticos às necessidades dos cidadãos, melhorarem a qualidade dos serviços oferecidos à população e a satisfação da sociedade com o que fazem.

Colaboração de Henrique César de Conti, diretor de desenvolvimento institucional da BRISA

*Solon Lemos Pinto, vice-presidente da BRISA.

 
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